Família Planetária Segunda-feira, Dez 31 2007 

Agência Ecclesia | Dossier | José Manuel Pureza| 18/12/2007 | 10:47 | 4154 Caracteres | 361 | Dia Mundial da Paz

José Manuel Pureza considera que a Mensagem da Paz de Bento XVI amarra o combate pela paz à intensidade humana das relações familiares. 

“(…) a celebração deste Dia [01 de Janeiro] proporcionou ao longo dos anos a possibilidade de a Igreja desenvolver, através das Mensagens publicadas para tal circunstância, uma doutrina elucidativa em defesa deste bem humano fundamental” (Bento XVI).

Com efeito, no começo de cada ano, os Dias Mundiais da Paz tornaram-se em marcos densos de reflexão sobre os caminhos e descaminhos do mundo e em suportes do combate essencial pela paz. A mensagem de Bento XVI para o próximo Dia Mundial da Paz assume plenamente esse desígnio.

As violências que marcam o nosso quotidiano, em todas as escalas – sejam físicas, estruturais ou culturais – são o avesso de uma condição familiar. A paz não é arranca da eliminação das diferenças nem da erradicação dos conflitos que essas diferenças eliminam. Tal como a solidez da vida de um casal se testa nos momentos de tensão, assim também o lugar dado à paz se afere diante de conflitos que atravessam as nossas sociedades. Não é de matar os conflitos nem de suprimir as diferenças que se trata. O alicerce da paz é a educação para os conflitos e as diferenças, a aprendizagem de que as diferenças são um bem, de que os conflitos são ocasião de crescimento, mas que nada disso legitima a queda na tentação fácil da violência. E que o caminho da paz é portanto o de uma organização das relações sociais, em todos os espaços, que rejeite a violência, seja esta de carácter directo ou revele-se ela nas regras de funcionamento corrente dos colectivos.

A vivência familiar, sugere o Papa, é uma referência forte para este bom combate. “Com efeito, numa vida familiar ’sã’ experimentam-se algumas componentes fundamentais da paz: a justiça e o amor entre irmãos e irmãs; a função da autoridade manifestada pelos pais; o serviço carinhoso aos membros mais débeis, porque pequenos, doentes ou idosos; a mútua ajuda nas necessidades da vida; a disponibilidade para acolher o outro e, se necessário, perdoar-lhe”. Ora, recordando a lição conciliar de que a humanidade inteira constitui uma só comunidade, Bento XVI amarra o combate pela paz à intensidade humana das relações familiares, traduzida em gratuidade, fraternidade, solidariedade e sentido de bem comum e de justiça.

Uma cultura da paz que se queira genuína ou arranca de uma conversão pessoal e social alicerçada nesta ordem de valores ou permanecerá refém de uma guerra fria do pensamento que a esvaziará de alcance realmente transformador. É esta mesma radicalidade de transformação que o Papa explora nesta mensagem, em três domínios fundamentais.

  • O primeiro é o do ambiente: “a família precisa de uma casa, dum ambiente à sua medida onde tecer as suas próprias relações. No caso da família humana, esta casa é o ambiente”. Recado certeiro para uma humanidade que teima – como acaba de se confirmar na conferência realizada em Bali – em dar primado aos interesses individuais de curto prazo em detrimento das mudanças de políticas económicas e dos modelos de desenvolvimento.

 *

  • O segundo campo é precisamente o da economia: “a família experimenta autenticamente a paz quando a ninguém falta o necessário, e o património familiar (…) é bem gerido na solidariedade”. Em tempo de endeusamento do capitalismo sem rosto, em que a eficiência económica é elevada ao altar e em que a justa distribuição da riqueza e o destino universal dos bens tendem a ser olhados como teimosias ideológicas, o recado do Papa precisa de ser ouvido por todas as comunidades cristãs.

 *

  • Por fim, o terceiro domínio de concretização é o do armamento: “temos vastas áreas do planeta envolvidas em tensões crescentes, enquanto o perigo de se multiplicarem os países detentores de armas nucleares cria motivadas apreensões em toda a pessoa responsável”. A responsabilidade de todos – ricos e pobres – na centralidade da indústria de armamento no mundo contemporâneo justifica plenamente que Bento XVI invoque a obrigação de levarmos a sério a nossa condição de família planetária para que se encontrem os caminhos do desarmamento e da não proliferação de arsenais de grande poder destruido.

* * * 

A paz é o caminho. Percorramo-lo como membros da mesma família. 

* * *

José Manuel Pureza, Professor Universitário

Agência Ecclesia | Dossier | José Manuel Pureza| 18/12/2007 | 10:47 | 4154 Caracteres | 361 | Dia Mundial da Paz

Parcerias económicas negativas para africanos Sexta-feira, Dez 7 2007 

Internacional | Agência Ecclesia| 06/12/2007 | 23:47 | 3960 Caracteres | 77 | Europa 

Parcerias económicas negativas para africanos

Organizações cristãs alertam para o perigo das parcerias económicas que a UE se prepara para assinar com 77 países africanos

Cimeira EU Africa 2007

As redes cristãs internacionais África-Europa Fé e Justiça (AEFJN Portugal) e o Desafio Miqueias (Micah Challenge Portugal), católicos e evangélicos respectivamente, foram recebidas quarta-feira, 5 de Dezembro, na Secretaria de Estado dos Cimeira EU Africa 2007Cimeira EU Africa 2007Assuntos Europeus do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

As duas organizações cristãs entregaram uma carta dirigida ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e transmitiram as suas preocupações quanto aos Acordos de Parceria Económica que a União Europeia (UE) se prepara para assinar com os 77 países de África, Caraíbas e Pacífico, até ao final do corrente ano. Segundo os estudos elaborados por várias organizações cristãs, mais de 750 milhões de pessoas podem ficar com os seus níveis de subsistência em perigo se estes acordos comerciais forem assinados na sua actual forma.

Este encontro aconteceu no mesmo dia em que foi entregue pela Campanha internacional EPA2007 uma carta aos ministros europeus do Comércio e Desenvolvimento, subscrita por dezenas de organizações não-governamentais, entre as quais vinte ONG portuguesas, manifestando as mesmas preocupações.  

Relatórios técnicos detalhados entregues ao governo português revelam que estes acordos comerciais não são “ferramentas para o desenvolvimento”, conforme as notícias veiculadas pela Comissão Europeia, mas simples acordos de comércio livre impostos às economias mais frágeis do mundo. Actualmente estes países dispõem de acordos de comércio especiais com a UE o que lhes permite beneficiar de condições preferenciais no acesso das suas exportações aos mercados europeus, sem que para isso estejam obrigados ao “princípio da reciprocidade” relativamente à entrada de bens oriundos da Europa. Isto impede que os seus mercados sejam inundados de mercadorias baratas, protegendo os agricultores e indústrias locais da falência.

As duas redes cristãs apontam cinco pontos essenciais pelos quais estes Acordos de Parceria Económica contribuem negativamente para o desenvolvimento:

  1. a liberalização forçada das economias enquanto a Europa mantém um sistema proteccionista aos seus produtores;
  2. O desincentivo comercial à integração regional;
  3. A reintrodução de novas questões relacionadas com políticas de investimento, concorrência e contratação pública face à ausência de estruturas locais eficientes ;
  4. A redução do rendimento proveniente das tarifas aduaneiras e a consequente redução da despesa pública em serviços essenciais como água e saneamento, cuidados de saúde, educação e infra-estruturas;
  5. Os impactos ambientais e na soberania alimentar devido à procura de matérias elegíveis para exportação como a exploração mineral, terrenos para biodisel e florestas.

As duas organizações alertaram ainda o governo português para a falta de debate público sobre este assunto e o facto das negociações estarem a ser conduzidas por um grupo exclusivamente técnico dentro da Comissão Europeia, o que pode indiciar um branqueamento do evoluir das negociações e uma eventual operação de cosmética por parte de alguns comissários sem resultados práticos para o desenvolvimento em África.

As igrejas cristãs, com larga experiência no terreno africano, temem ainda que estes acordos venham acentuar o já grave êxodo rural para as cidades e destas para países de migração, sendo a Europa um Continente de eleição. A perpetuação de níveis baixos de pobreza proporciona ainda o aumento da exploração humana, do tráfico de pessoas e de órgãos como uma expressão contemporânea de novas formas de escravatura humana.

Estas redes cristãs estão a promover a assinatura de uma carta aberta contra a pobreza, convidando as diferentes religiões sediadas em Portugal para unirem esforços a favor das comunidades mais pobres.

Mais informações:

Internacional | Agência Ecclesia| 06/12/2007 | 23:47 | 3960 Caracteres | 77 | Europa

O Núcleo de Benfica em forte actividade Sábado, Dez 1 2007 

No dia 2 de Dezembro, o Núcleo de Benfica passa a contar com mais 3 associados:

  • a Ana Maria Abreu,
  • o Hugo Reis e
  • o José Mendes.

Contando com o Assistente Cónego Traquina, passam a ser ao todo 7 e vêm aí mais 3.

Foram 4 semanas de intensa actividade.

  • A 15 de Novembro, preparação da actividade do próximo fim-de-semana;
  • No fim-de-semana, 17 e 18 de Novembro, anúncio nas celebrações, para promoção da FNA ;
  • A 22 de Novembro, Reunião Plenária do Núcleo;
  • No fim-de-semana, 24 e 25 de Novembro, anúncio de recolha de brinquedos no fim-de-semana seguinte, destinados à Casa Francisca Lindoso, na Madorna, Parede, que acolhe crianças desprovidas de uma família estável;
  • No fim-de-semana, 1 e 2 de Dezembro, recolha de brinquedos.

Cumulativamente, no dia 2 de Dezembro, o Núcleo cresce com a Investidura dos 3 novos associados e nesse mesmo dia far-se-á o jantar de Natal do Núcleo, com a participação dos associados e famílias.

Mas não fica por aqui. Até ao fim do ano, ainda haverá:

  • A 16 de Dezembro, visita de Natal à Unidade de Cuidados Paliativos das Irmãs Hospitaleiras, na Casa de Saúde da Idanha, Belas;
  • A 27 de Dezembro, Reunião Plenária do Núcleo.

Neste momento, o Núcleo está felicíssimo com o sucesso que está a ter a recolha de brinquedos. A comunidade deu uma resposta espectacular ao pedido de “Natal melhor”.  Aguarda-se pelo Domingo para fazer um balanço final.

Com os brinquedos recebidos, pôde ainda apoiar uma actividade desenvolvida pelos Pioneiros do Agrupamento de Benfica.

O Núcleo sente agora uma responsabilidade muito maior pela confiança depositada pela Paróquia à acção proposta.

É com muita humildade e espírito cristão que o Núcleo se pôe ao SERVIÇO de toda a comunidade de Benfica. Estará SEMPRE ALERTA para os sinais de ajuda e de braços abertos para acolher os seus pedidos.

Um bem-hajam.

Castor Peregrino